07/02/12

Um Homem no Limite



Direcção: Asger Leth
Com: Sam Worthington, Elizabeth Banks, Ed Harris, Jamie Bell, Genesis Rodriguez, Kyra Sedgwick, Edward Burns e Anthony Mackie

Não é só o personagem principal de Um Homem no Limite que se encontra perto de uma queda brusca. O filme em si transcorre todos os seus exagerados 102 minutos no limiar do precipício. Ao final, consegue entreter, o que por si só já é um grande mérito, mas é inegável que tropeça muitas vezes.
Dirigido pelo desconhecido Asger Leth, o filme sofre de um mal cada vez mais constante em thrillers policiais, que é tentar surpreender o espectador a qualquer preço. Para isso, acabam por ser usados artifícios ruins e deselegantes. Todo cinéfilo gosta de ser surpreendido por uma produção, mas ser enganado é algo diferente. O filme mente para o público diversas vezes, sendo algumas totalmente desnecessárias.
A história gira em torno de Nick Cassidy (Sam Worthington), um ex-policia procurado pela justiça que decide acabar com a própria vida pulando do alto de um prédio de Nova York. Depois de um contacto inicial com a polícia da cidade, ele exige a presença da psicóloga forense Lydia Mercer (Elizabeth Banks), que tentará impedir que ele se suicide. A medida que conversa com Nick, a profissional percebe que há algo de errado com tudo o que está a  acontecer e que a situação parece ser apenas um jogo de cena para encobrir um plano de vingança contra David Englander (Ed Harris), o homem responsável pelo que aconteceu com a vida do ex-policia.
Worthington é um ator esforçado, mas ainda lhe falta certo carisma para carregar um filme as costas. Já Banks, vista recentemente no seriado 30 Rock e no longa 72 Horas, consegue estar relativamente bem, dando uma bagagem interessante à personagem. O talentoso Ed Harris é o vilão da história, mas também não convence. Fica a impressão clara de que o actor ingressou no projeto apenas no piloto-automático.
O elenco conta ainda com as presenças de Jamie Bell, Genesis Rodriguez, Kyra Sedgwick, Edward Burns e Anthony Mackie. Os dois primeiros assumem a função de alívio cômico da história, interpretando um casal que participa do plano mirabolante. Não faltam cenas desnecessárias para a dupla. Rodriguez chega ao ponto de aparecer semi-nua num momento importante da história, enquanto que Bell pode ser visto dançando em outro. Seria uma referência ao seu passado como Billy Elliot?
Kyra Sedgwick interpreta uma repórter sensacionalista que cobre a história do possível suicídio, comprovando mais uma vez a falta de foco da produção. Gastando tempo para alfinetar a imprensa e o seu jogo de vilões e bonzinhos, o longa perde minutos preciosos da sua edição que ainda tem falta de qualidade na banda sonora e mesmo no som.
Man on a Ledge (no original) tem uma série de pequenas falhas, mas no geral pode ser visto como um bom entretenimento para um dia vazio ou uma noite em que a EDEL nos tenha abandonado a casa. Apesar de perder muito tempo pulando de um núcleo da história para o outro, no final é capaz de fazer, ainda que por minutos, o público torcer pelos seus protagonistas, por mais que submetidos à cenas mal pensadas e conduzidas ao longo da trama.
É daqueles filmes para se ver uma vez, sem ficar com saudade. Mais um filme que vale a pena ver mesmo só o trailer.

Nota: 2 / 10