27/01/12

Os Homens que odeiam as mulheres


Para mim este é um dos mais aguardados para este ano. Refilmado por David Fincher, umas vezes frio e até desapaixonado. Essa impressão pode ser devido ao roteiro de Steve Zaillian eliminar tudo o que era sentimental demais no primeiro filme da trilogia sueca baseada nos livros do escritor Stieg Larsson.
A trama continua ambientada na Suécia entre 2002 e 2003. O jornalista Mikael Blomkvist (Daniel Craig) é contratado para investigar o desaparecimento da sobrinha-neta do ex-industrial Henrik Vanger (Christopher Plummer), que desconfia do envolvimento dos seus próprios familiares no crime, ocorrido há 40 anos. Hostilizado pela família, Mikael conven-ce então a hacker Lisbeth Salander (Rooney Mara) - que havia espionado o jornalista a pedido dos homens de Vanger - a ajudá-lo no caso.
O director David Fincher disse que gostaria que se entendesse o seu Millennium como um filme americano com características suecas - já que, segundo ele, o original escandinavo faz o inverso e emula os filmes de serial killer da Hollywood de hoje. Na comparação, é fácil identificar no Millennium sueco algumas referências “americanas”, como o backstory afectivo dos investiga-dores com as vítimas ou os culpados. É uma armadilha dramática que Fincher evita tal como no facto de, no seu remake, não haver qualquer menção a Lisbeth e Mikael quando crianças.
Se no original Mikael aceita o caso porque tem um histórico com a família de Vanger, no remake as coisas são bem mais pragmáticas: Mikael está falido, graças a um processo judicial depois de publicar um dossier incomple-to contra um empresário supostamente corrupto, quando Vanger oferece uma ajuda valiosa nesse dossier caso o jornalista aceite o caso do desaparecimento da sobrinha-neta. Tanto no livro quanto no filme sueco, Mikael vai para a cadeia pelo caso do dossier; no remake, ele é só processado. Claro, mais uma mudança que visa a desdramatização.
A própria relação entre Lisbeth e Mikael não é tão imediata na refilmagem. No original, Lisbeth se mostra simpática a ele desde o começo, e ajuda o jornalista na investigação por conta própria, antes mesmo de os dois se conhecerem. Na refilmagem, a alteração mais vigorosa feita por Zaillian: Lisbeth só sabe do caso quando Mikael a procura. A hacker de Noomi Rapace acredita desde o início que Mikael não é como os outros homens - daí o seu interesse nele. Já a Lisbeth do remake não pode dar-se a esse luxo; sempre sofreu com homens, vive na defensiva com qualquer um que não seja o seu velho guardião-legal - e por isso soa mais real.
Há outras mudanças significativas no clímax do filme, de caráter moral, mas não entremos em detalhes para não estragar as surpresas. No geral, todas as mudanças enriquecem a história - e a trilha sonora de Trent Reznor e Atticus Ross é muito mais eficiente, para criar uma atmosfera de opressão, do que a inconstante música do filme original.
Essencialmente, as mudanças no remake tornam mais complexos os dois protagonistas. O arco dramático de Mikael - livre da relação afectiva com o cliente - pode se concentrar na sua obsessão pela verdade. É um personagem que entrou em ruína por confiar em dados inconclusivos (no caso do dossier). Assim, quando aceita a proposta de Vanger, a investigação completa e justa do desaparecimento torna-se para o jornalista uma questão de honra. Fincher entende desse tipo de obsessão - Zodíaco, o seu melhor filme, é justamente sobre o que acontece quando a obsessão alimenta a si mesma.
O grande foco do remake, porém, é a Lisbeth de Rooney Mara. Embora a performance de Noomi Rapace no Millen-nium escandinavo seja notável, é Mara quem tem um material melhor para trabalhar. No filme de Fincher a relação da hacker com a dor, a morbidez, e a angústia de viver numa sociedade machista são mais potentes. Quem sempre identifica factos nos filmes do director tem, agora, um objeto bastante rico para discussão.


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25/01/12

Viva a Sétima Arte

Cheguei hoje a este espaço para ir falando, confesso que por palavras minhas e de outros, sobre a minha maior paixão (depois da minha esposa) que é o cinema.
Vamos estar juntos neste espaço, vamos conversar e vou de certeza ouvir e aprender com quem, quem quer que seja, venha a perder do seu precioso tempo para estar aqui também, sentado, a apreciar, sentir e valorizar o CINEMA.

Seja por isso bem-vindo...