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Abraço
GrandEcran
Um espaço para saber o máximo possível sobre cinema.
15/06/12
07/02/12
Um Homem no Limite
Direcção: Asger Leth
Com: Sam Worthington, Elizabeth Banks, Ed Harris, Jamie Bell, Genesis Rodriguez, Kyra Sedgwick, Edward Burns e Anthony Mackie
Não é só o personagem principal de Um Homem no Limite que se encontra perto de uma queda brusca. O filme em si transcorre todos os seus exagerados 102 minutos no limiar do precipício. Ao final, consegue entreter, o que por si só já é um grande mérito, mas é inegável que tropeça muitas vezes.
Dirigido pelo desconhecido Asger Leth, o filme sofre de um mal cada vez mais constante em thrillers policiais, que é tentar surpreender o espectador a qualquer preço. Para isso, acabam por ser usados artifícios ruins e deselegantes. Todo cinéfilo gosta de ser surpreendido por uma produção, mas ser enganado é algo diferente. O filme mente para o público diversas vezes, sendo algumas totalmente desnecessárias.
A história gira em torno de Nick Cassidy (Sam Worthington), um ex-policia procurado pela justiça que decide acabar com a própria vida pulando do alto de um prédio de Nova York. Depois de um contacto inicial com a polícia da cidade, ele exige a presença da psicóloga forense Lydia Mercer (Elizabeth Banks), que tentará impedir que ele se suicide. A medida que conversa com Nick, a profissional percebe que há algo de errado com tudo o que está a acontecer e que a situação parece ser apenas um jogo de cena para encobrir um plano de vingança contra David Englander (Ed Harris), o homem responsável pelo que aconteceu com a vida do ex-policia.
Worthington é um ator esforçado, mas ainda lhe falta certo carisma para carregar um filme as costas. Já Banks, vista recentemente no seriado 30 Rock e no longa 72 Horas, consegue estar relativamente bem, dando uma bagagem interessante à personagem. O talentoso Ed Harris é o vilão da história, mas também não convence. Fica a impressão clara de que o actor ingressou no projeto apenas no piloto-automático.
O elenco conta ainda com as presenças de Jamie Bell, Genesis Rodriguez, Kyra Sedgwick, Edward Burns e Anthony Mackie. Os dois primeiros assumem a função de alívio cômico da história, interpretando um casal que participa do plano mirabolante. Não faltam cenas desnecessárias para a dupla. Rodriguez chega ao ponto de aparecer semi-nua num momento importante da história, enquanto que Bell pode ser visto dançando em outro. Seria uma referência ao seu passado como Billy Elliot?
Kyra Sedgwick interpreta uma repórter sensacionalista que cobre a história do possível suicídio, comprovando mais uma vez a falta de foco da produção. Gastando tempo para alfinetar a imprensa e o seu jogo de vilões e bonzinhos, o longa perde minutos preciosos da sua edição que ainda tem falta de qualidade na banda sonora e mesmo no som.
Man on a Ledge (no original) tem uma série de pequenas falhas, mas no geral pode ser visto como um bom entretenimento para um dia vazio ou uma noite em que a EDEL nos tenha abandonado a casa. Apesar de perder muito tempo pulando de um núcleo da história para o outro, no final é capaz de fazer, ainda que por minutos, o público torcer pelos seus protagonistas, por mais que submetidos à cenas mal pensadas e conduzidas ao longo da trama.
É daqueles filmes para se ver uma vez, sem ficar com saudade. Mais um filme que vale a pena ver mesmo só o trailer.
Dirigido pelo desconhecido Asger Leth, o filme sofre de um mal cada vez mais constante em thrillers policiais, que é tentar surpreender o espectador a qualquer preço. Para isso, acabam por ser usados artifícios ruins e deselegantes. Todo cinéfilo gosta de ser surpreendido por uma produção, mas ser enganado é algo diferente. O filme mente para o público diversas vezes, sendo algumas totalmente desnecessárias.
A história gira em torno de Nick Cassidy (Sam Worthington), um ex-policia procurado pela justiça que decide acabar com a própria vida pulando do alto de um prédio de Nova York. Depois de um contacto inicial com a polícia da cidade, ele exige a presença da psicóloga forense Lydia Mercer (Elizabeth Banks), que tentará impedir que ele se suicide. A medida que conversa com Nick, a profissional percebe que há algo de errado com tudo o que está a acontecer e que a situação parece ser apenas um jogo de cena para encobrir um plano de vingança contra David Englander (Ed Harris), o homem responsável pelo que aconteceu com a vida do ex-policia.
Worthington é um ator esforçado, mas ainda lhe falta certo carisma para carregar um filme as costas. Já Banks, vista recentemente no seriado 30 Rock e no longa 72 Horas, consegue estar relativamente bem, dando uma bagagem interessante à personagem. O talentoso Ed Harris é o vilão da história, mas também não convence. Fica a impressão clara de que o actor ingressou no projeto apenas no piloto-automático.
O elenco conta ainda com as presenças de Jamie Bell, Genesis Rodriguez, Kyra Sedgwick, Edward Burns e Anthony Mackie. Os dois primeiros assumem a função de alívio cômico da história, interpretando um casal que participa do plano mirabolante. Não faltam cenas desnecessárias para a dupla. Rodriguez chega ao ponto de aparecer semi-nua num momento importante da história, enquanto que Bell pode ser visto dançando em outro. Seria uma referência ao seu passado como Billy Elliot?
Kyra Sedgwick interpreta uma repórter sensacionalista que cobre a história do possível suicídio, comprovando mais uma vez a falta de foco da produção. Gastando tempo para alfinetar a imprensa e o seu jogo de vilões e bonzinhos, o longa perde minutos preciosos da sua edição que ainda tem falta de qualidade na banda sonora e mesmo no som.
Man on a Ledge (no original) tem uma série de pequenas falhas, mas no geral pode ser visto como um bom entretenimento para um dia vazio ou uma noite em que a EDEL nos tenha abandonado a casa. Apesar de perder muito tempo pulando de um núcleo da história para o outro, no final é capaz de fazer, ainda que por minutos, o público torcer pelos seus protagonistas, por mais que submetidos à cenas mal pensadas e conduzidas ao longo da trama.
É daqueles filmes para se ver uma vez, sem ficar com saudade. Mais um filme que vale a pena ver mesmo só o trailer.
Nota: 2 / 10
27/01/12
Os Homens que odeiam as mulheres
Para mim este é um dos mais aguardados para este ano. Refilmado por David Fincher, umas vezes frio e até desapaixonado. Essa impressão pode ser devido ao roteiro de Steve Zaillian eliminar tudo o que era sentimental demais no primeiro filme da trilogia sueca baseada nos livros do escritor Stieg Larsson.
A trama continua ambientada na Suécia entre 2002 e 2003. O jornalista Mikael Blomkvist (Daniel Craig) é contratado para investigar o desaparecimento da sobrinha-neta do ex-industrial Henrik Vanger (Christopher Plummer), que desconfia do envolvimento dos seus próprios familiares no crime, ocorrido há 40 anos. Hostilizado pela família, Mikael conven-ce então a hacker Lisbeth Salander (Rooney Mara) - que havia espionado o jornalista a pedido dos homens de Vanger - a ajudá-lo no caso.
O director David Fincher disse que gostaria que se entendesse o seu Millennium como um filme americano com características suecas - já que, segundo ele, o original escandinavo faz o inverso e emula os filmes de serial killer da Hollywood de hoje. Na comparação, é fácil identificar no Millennium sueco algumas referências “americanas”, como o backstory afectivo dos investiga-dores com as vítimas ou os culpados. É uma armadilha dramática que Fincher evita tal como no facto de, no seu remake, não haver qualquer menção a Lisbeth e Mikael quando crianças.
Se no original Mikael aceita o caso porque tem um histórico com a família de Vanger, no remake as coisas são bem mais pragmáticas: Mikael está falido, graças a um processo judicial depois de publicar um dossier incomple-to contra um empresário supostamente corrupto, quando Vanger oferece uma ajuda valiosa nesse dossier caso o jornalista aceite o caso do desaparecimento da sobrinha-neta. Tanto no livro quanto no filme sueco, Mikael vai para a cadeia pelo caso do dossier; no remake, ele é só processado. Claro, mais uma mudança que visa a desdramatização.
A própria relação entre Lisbeth e Mikael não é tão imediata na refilmagem. No original, Lisbeth se mostra simpática a ele desde o começo, e ajuda o jornalista na investigação por conta própria, antes mesmo de os dois se conhecerem. Na refilmagem, a alteração mais vigorosa feita por Zaillian: Lisbeth só sabe do caso quando Mikael a procura. A hacker de Noomi Rapace acredita desde o início que Mikael não é como os outros homens - daí o seu interesse nele. Já a Lisbeth do remake não pode dar-se a esse luxo; sempre sofreu com homens, vive na defensiva com qualquer um que não seja o seu velho guardião-legal - e por isso soa mais real.
Há outras mudanças significativas no clímax do filme, de caráter moral, mas não entremos em detalhes para não estragar as surpresas. No geral, todas as mudanças enriquecem a história - e a trilha sonora de Trent Reznor e Atticus Ross é muito mais eficiente, para criar uma atmosfera de opressão, do que a inconstante música do filme original.
Essencialmente, as mudanças no remake tornam mais complexos os dois protagonistas. O arco dramático de Mikael - livre da relação afectiva com o cliente - pode se concentrar na sua obsessão pela verdade. É um personagem que entrou em ruína por confiar em dados inconclusivos (no caso do dossier). Assim, quando aceita a proposta de Vanger, a investigação completa e justa do desaparecimento torna-se para o jornalista uma questão de honra. Fincher entende desse tipo de obsessão - Zodíaco, o seu melhor filme, é justamente sobre o que acontece quando a obsessão alimenta a si mesma.
O grande foco do remake, porém, é a Lisbeth de Rooney Mara. Embora a performance de Noomi Rapace no Millen-nium escandinavo seja notável, é Mara quem tem um material melhor para trabalhar. No filme de Fincher a relação da hacker com a dor, a morbidez, e a angústia de viver numa sociedade machista são mais potentes. Quem sempre identifica factos nos filmes do director tem, agora, um objeto bastante rico para discussão.
A trama continua ambientada na Suécia entre 2002 e 2003. O jornalista Mikael Blomkvist (Daniel Craig) é contratado para investigar o desaparecimento da sobrinha-neta do ex-industrial Henrik Vanger (Christopher Plummer), que desconfia do envolvimento dos seus próprios familiares no crime, ocorrido há 40 anos. Hostilizado pela família, Mikael conven-ce então a hacker Lisbeth Salander (Rooney Mara) - que havia espionado o jornalista a pedido dos homens de Vanger - a ajudá-lo no caso.
O director David Fincher disse que gostaria que se entendesse o seu Millennium como um filme americano com características suecas - já que, segundo ele, o original escandinavo faz o inverso e emula os filmes de serial killer da Hollywood de hoje. Na comparação, é fácil identificar no Millennium sueco algumas referências “americanas”, como o backstory afectivo dos investiga-dores com as vítimas ou os culpados. É uma armadilha dramática que Fincher evita tal como no facto de, no seu remake, não haver qualquer menção a Lisbeth e Mikael quando crianças.
Se no original Mikael aceita o caso porque tem um histórico com a família de Vanger, no remake as coisas são bem mais pragmáticas: Mikael está falido, graças a um processo judicial depois de publicar um dossier incomple-to contra um empresário supostamente corrupto, quando Vanger oferece uma ajuda valiosa nesse dossier caso o jornalista aceite o caso do desaparecimento da sobrinha-neta. Tanto no livro quanto no filme sueco, Mikael vai para a cadeia pelo caso do dossier; no remake, ele é só processado. Claro, mais uma mudança que visa a desdramatização.
A própria relação entre Lisbeth e Mikael não é tão imediata na refilmagem. No original, Lisbeth se mostra simpática a ele desde o começo, e ajuda o jornalista na investigação por conta própria, antes mesmo de os dois se conhecerem. Na refilmagem, a alteração mais vigorosa feita por Zaillian: Lisbeth só sabe do caso quando Mikael a procura. A hacker de Noomi Rapace acredita desde o início que Mikael não é como os outros homens - daí o seu interesse nele. Já a Lisbeth do remake não pode dar-se a esse luxo; sempre sofreu com homens, vive na defensiva com qualquer um que não seja o seu velho guardião-legal - e por isso soa mais real.
Há outras mudanças significativas no clímax do filme, de caráter moral, mas não entremos em detalhes para não estragar as surpresas. No geral, todas as mudanças enriquecem a história - e a trilha sonora de Trent Reznor e Atticus Ross é muito mais eficiente, para criar uma atmosfera de opressão, do que a inconstante música do filme original.
Essencialmente, as mudanças no remake tornam mais complexos os dois protagonistas. O arco dramático de Mikael - livre da relação afectiva com o cliente - pode se concentrar na sua obsessão pela verdade. É um personagem que entrou em ruína por confiar em dados inconclusivos (no caso do dossier). Assim, quando aceita a proposta de Vanger, a investigação completa e justa do desaparecimento torna-se para o jornalista uma questão de honra. Fincher entende desse tipo de obsessão - Zodíaco, o seu melhor filme, é justamente sobre o que acontece quando a obsessão alimenta a si mesma.
O grande foco do remake, porém, é a Lisbeth de Rooney Mara. Embora a performance de Noomi Rapace no Millen-nium escandinavo seja notável, é Mara quem tem um material melhor para trabalhar. No filme de Fincher a relação da hacker com a dor, a morbidez, e a angústia de viver numa sociedade machista são mais potentes. Quem sempre identifica factos nos filmes do director tem, agora, um objeto bastante rico para discussão.
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25/01/12
Viva a Sétima Arte
Cheguei hoje a este espaço para ir falando, confesso que por palavras minhas e de outros, sobre a minha maior paixão (depois da minha esposa) que é o cinema.
Vamos estar juntos neste espaço, vamos conversar e vou de certeza ouvir e aprender com quem, quem quer que seja, venha a perder do seu precioso tempo para estar aqui também, sentado, a apreciar, sentir e valorizar o CINEMA.
Seja por isso bem-vindo...
Vamos estar juntos neste espaço, vamos conversar e vou de certeza ouvir e aprender com quem, quem quer que seja, venha a perder do seu precioso tempo para estar aqui também, sentado, a apreciar, sentir e valorizar o CINEMA.
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